O renascimento das viagens de trem. Por que as viagens ferroviárias voltaram a ser o ápice do conforto? (cópia)

Algo que poderia ser uma foto e que permanece para sempre na memória: uma janela e ao fundo uma paisagem que muda como se uma apresentação individual, feita só para você, e na sua mão, uma taça de vinho ou uma xícara de chá fumegante. Conforto e tranquilidade. Você não está com pressa. Você está na viagem.

Enquanto o mundo correu para os aviões, algo ficou para trás, e agora está de volta com força. As viagens de trem ressurgiram não como uma alternativa mais barata ou mais lenta, mas como um símbolo de uma viagem consciente, elegante e inesquecível.

Reservar um assento num trem icônico deixou de ser uma curiosidade nostálgica para se tornar um dos itens mais disputados no roteiro dos grandes viajantes do mundo.

E por que as viagens de trem voltaram?

Jacobite Steam Train, nas Terras Altas da Escócia, famoso por sua aparição nos filmes de Harry Potter como o Expresso de Hogwarts.

A resposta mais simples é: porque as pessoas cansaram de só chegar e passaram a querer apreciar e viver o caminho.

Nos últimos anos, um fenômeno chamado slow travel, a viagem lenta e intencional, tomou conta dos viajantes de alto padrão. 

A ideia é simples: a experiência começa antes do destino.

O avião retira você de um lugar e te deposita em outro. O trem, não. O trem te leva e te dá oportunidades que vão além.

A isso se soma uma mudança de valores. 

Viajar de trem produz até 90% menos emissões de carbono do que voar na mesma rota. Para uma geração que quer consumir o mundo sem destruí-lo, essa equação importa.

E, claro, há o fator mais humano de todos: num trem de luxo, você come bem, dorme bem, conversa com quem está do seu lado, e acorda com uma nova paisagem na janela a cada “piscada”. Isso não tem aeroporto que substitua.

Os trens mais extraordinários do mundo.

Glacier express na Suíça

Glacier Express, mundialmente conhecido como o "trem mais lento do mundo", de Zermatt‍ ‍a St. Moritz, na Suíça. A viagem passa por 91 túneis e sobre 291 pontes com paisagens indescritivéis.

Europa — Glacier Express (Suíça)

De St. Moritz a Zermatt, o Glacier Express percorre 290 quilômetros atravessando os Alpes suíços em cerca de 8 horas — e cada minuto dessa travessia merece atenção total. São 291 pontes, 91 túneis e panoramas que desafiam qualquer fotografia.

Apesar de ser chamado de expresso, este é propositalmente o trem mais lento dos Alpes — porque a ideia, desde sempre, foi que você não perca nenhuma vista. Nos vagões panorâmicos, os vidros se estendem até o teto. No vagão restaurante, a gastronomia acompanha a altitude.

A temporada mais procurada é o inverno, com a neve cobrindo os picos ao redor de Zermatt e o Cervino surgindo no horizonte como uma tela pintada.

Escandinávia — Bergensbanen (Oslo → Bergen, Noruega)

Se existe uma viagem que resume a alma da Noruega, é esta. O Bergensbanen parte de Oslo e chega a Bergen em aproximadamente 7 horas, cruzando o maior planalto montanhoso do norte da Europa: o Hardangervidda, a mais de 1.200 metros de altitude.

São 182 túneis, florestas densas, lagos cristalinos, cachoeiras e aldeias isoladas que só existem porque o trem passa por lá. Em Finse — a estação mais alta da linha — o cenário é de outro planeta: neve, silêncio e uma vastidão que impressiona qualquer viajante.

No caminho, ainda é possível fazer um desvio pelo Flåm Railway, considerado um dos passeios de trem mais bonitos do mundo, descendo por fiordes e quedas d'água até a aldeia de Flåm.

Uma dica para os que querem o melhor das vistas: reserve para o verão escandinavo (junho a agosto), quando os vales ficam verdes e a luz natural dura até a madrugada.

Reino Unido — Belmond Royal Scotsman (Escócia)

Há viagens que parecem cenas de filme. O Royal Scotsman é uma delas.

Você embarca em Edimburgo e, em minutos, a cidade desaparece e as Highlands tomam conta de tudo: montanhas cobertas de névoa, lochs imensos refletindo o céu cinzento, castelos que surgem como ruínas de uma história que nunca terminou.

O que torna este trem único é a experiência total a bordo: cabines ricamente decoradas com madeiras nobres e tecidos quentes, jantares elegantes com produtos locais escoceses, visitas privadas a castelos e destilarias de whisky, e caminhadas guiadas por paisagens selvagens. A viagem mais curta dura dois dias; a mais longa, sete.

Em 2026, uma diária em suite grand começa em torno de £12.000 por pessoa — e, segundo quem já foi, cada centavo se justifica na primeira manhã acordando com neblina nas Highlands.

África — Rovos Rail (África do Sul)

Se o luxo escandinavo é frio e contido, o luxo africano do Rovos Rail é quente, exuberante e completamente inesquecível.

Operando desde 1989 com vagões restaurados do início do século XX, o Rovos Rail conecta Pretória a Cidade do Cabo (ou a Vitória Falls, no Zimbábue) em jornadas que variam de dois a quinze dias. A bordo, suítes com banheiros privativos, vagão-observatório com plataforma aberta, refeições de altíssimo nível e um silêncio dourado só interrompido pelos sons da savana.

Em certas rotas, é possível avistar elefantes, girafas e leões direto da janela. Isso é algo que nenhum avião oferece.

O Rovos Rail é frequentemente citado como um dos trens mais luxuosos do mundo — e figura nas listas dos melhores desde que foi inaugurado.

Ásia — Seven Stars in Kyushu (Japão)

O Japão poderia ter lançado apenas mais um trem-bala impecável. Em vez disso, criou o Seven Stars — uma obra de arte sobre trilhos.

Com apenas sete vagões e capacidade para grupos íntimos, este trem de luxo percorre a ilha de Kyushu em jornadas de dois ou quatro dias, passando por onsen (fontes termais), templos, vinícolas e paisagens rurais que o Japão urbano jamais revela.

O design interior remete à estética japonesa mais refinada: madeira clara, tecidos artesanais, iluminação suave. O vagão restaurante serve kaiseki — a alta gastronomia tradicional japonesa. E, por ser tão exclusivo, as reservas costumam esgotar com meses de antecedência.

Seven Stars in Kyushu, é o primeiro trem de cruzeiro de luxo do Japão, operado pela JR Kyushu, combina o design tradicional japonês com a sofisticação ocidental

América do Sul — Trem para as Nuvens (Argentina)

A América do Sul tem sua própria resposta ao luxo ferroviário — e ela vem da Argentina.

O Tren a las Nubes (Trem para as Nuvens) parte de Salta e sobe até 4.220 metros de altitude nos Andes, cruzando viadutos suspensos sobre abismos, túneis esculpidos na rocha e paisagens altiplanas de rara beleza. É tecnicamente uma das travessias ferroviárias mais impressionantes do planeta.

Para quem busca algo mais próximo do Brasil, vale atenção ao Trem do Pantanal, que percorre trechos do Mato Grosso do Sul com fauna exuberante e uma atmosfera genuinamente brasileira — uma experiência diferente, mas igualmente marcante.

E o que esperar a bordo dos trens modernos?

A nova geração de trens de alto padrão compete diretamente com os melhores hotéis do mundo. Não é exagero. Alguns itens que fazem parte da experiência:

Hospedagem com alma — As suítes têm camas de casal, roupas de cama de alta qualidade, banheiros privativos e decoração cuidada. Você dorme embalado pelo movimento suave dos trilhos.

Gastronomia de alto nível — Chefs renomados, menus sazonais com produtos locais, seleção de vinhos e espumantes. O jantar a bordo é um evento.

Excursões exclusivas — Em cada parada, experiências curadas: visitas a vinícolas, castelos, mercados locais, trilhas guiadas, degustações.

Privacidade e ritmo próprio — Sem filas, sem pressa, sem checkin. Você acorda quando quiser, olha pela janela, lê, conversa. A viagem não exige nada de você além de estar presente.

Vale a pena incluir uma viagem de trem no seu roteiro?

Para quem viaja a dois: Poucas experiências criam a intimidade que uma viagem de trem de luxo proporciona. A paisagem que passa, as refeições compartilhadas, as manhãs lentas — é romance em movimento.

Para quem já viajou muito: Se você já conhece os destinos clássicos, o trem transforma o familiar em novo. Ver a Suíça ou a Escócia pela janela de um vagão panorâmico é completamente diferente de qualquer outra perspectiva.

Para quem busca significado: O slow travel não é sobre ir devagar. É sobre estar presente. E poucos meios de transporte fazem isso tão bem quanto o trem.

  • Sim, com planejamento antecipado. Trens como o Glacier Express têm opções para diferentes perfis, do turístico de alto padrão até o luxo. Já o Rovos Rail e o Royal Scotsman demandam um orçamento mais robusto, mas a experiência é incomparável.

  • Depende do trem. O Glacier Express brilha no inverno (neve nos Alpes) e no verão (vegetação exuberante). O Bergensbanen é mais espetacular entre junho e agosto, com o sol quase eterno do verão norueguês.

  • Sim, e bastante. Trens como o Seven Stars no Japão e o Rovos Rail costumam lotar meses antes. Para as melhores cabines e temporadas, planeje com pelo menos 6 meses de antecedência.

  • Absolutamente. É exatamente assim que a Chancetour trabalha, montando roteiros que combinam o melhor do transporte terrestre, aéreo e náutico, com a personalização que cada cliente merece.

  • Alguns sim. O Bergensbanen, por exemplo, tem vagão família. Trens como o Royal Scotsman e o Rovos Rail são mais voltados para adultos, mas cada caso pode ser avaliado individualmente.

O Seu Roteiro, Do Jeito Que Só Você Pode Ter

A Chancetour não vendemos apenas viagens. O que fazemos de melhor é escutar você, entender seus gostos, seus sonhos e o que você quer sentir, e a partir disso montar uma viagem que só poderia ter sido feita para você.

Se uma viagem de trem atravessou sua cabeça enquanto você lia esse artigo, é um bom sinal.

Fale com a gente e descubra como incluir uma experiência ferroviária inesquecível no seu próximo roteiro.

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